Dica Saudável | Ginkgo Biloba | Um fitoterápico para memória.




Nome científico: Ginkgo biloba L.

Nome popular: Ginkgo biloba.

Família: Ginkgoaceae.

Parte Utilizada: Folha.

Composição Química: Diterpenos (ginkgolídeos A, B, C, J e M); flavonoides (bioflavonoides: ginkgetina, isogenkgetina, bilobetina); flavonóis (quercetina, kaempferol e seus glicosídeos); hidrocarbonetos; aminoácidos; esteróis; açucares; álcoois; proantocianidina; terpenos e catequinas (Extrato padronizado 24% de Flavonoides Glicosídeos).



Nessa Dica Saudável compartilharemos sobre um fitoterápico muito especial para a saúde da memória: o Ginko Biloba. A espécie é a árvore mais velha do mundo, nativa da China, Coreia e Japão, que foi considerada por Charles Darwin um “fóssil vivo”. Estudos e pesquisas relatam que ela existe há mais de 200 milhões de anos, sendo o único exemplar desse familiar, e ancestral do carvalho. A árvore pode chegar a 1.000 anos de idade e altura de 30 metros, com relatos de prescrição de chás das folhas da árvore para fins medicinais que datam de 1436, durante a dinastia Ming.

Preparações medicamentosas derivadas desta estão entre os medicamentos fitoterápicos mais prescritos no mundo, sendo indicada e utilizada para uma série de desequilíbrios como problema de concentração, tonteiras, zumbidos,queda capilar, enxaqueca, cefaleias e, principalmente, distúrbios cognitivos. Pesquisas trazem que o extrato de Ginko Biloba é um suplemento com propriedades de estimular o desempenho cerebral, aumentando a concentração, melhorando a memória e também pode ser muito benéfico para aliviar sintomas de demência.


É um espécie símbolo de resiliência e longevidade, sendo também resistente a poluição. Foi a primeira espécie de vida a se manifestar após a explosão da bomba de Hiroshima, sendo também símbolo de paz no oriente. O ginko biloba também é extremamente resistente a vírus, bactérias e fungos, produzindo substancias químicas que as protegem contra fatores de estresse.



Características botânicas


Ginkgophyta é a divisão pertencente ao grupo das Gimnospermas que possuem como caraterística comum sementes nuas, ou seja, plantas que não possuem frutos.


Com seu registro do período Permiano (a cerca de 270 milhões de anos), atualmente possui apenas um gênero e uma única espécie, o Ginkgo biloba considerado um fóssil vivo. Suas características praticamente não tiveram mudanças nos últimos 80 milhões de anos, porém já não cresce espontaneamente pelo mundo, possuindo poucos exemplares selvagens, e é conservada ao entorno de parques e jardins de templos na China e no Japão. Nos últimos 200 anos, mudas foram introduzidas em outras partes do mundo e se adaptou bem a parques e jardins de regiões temperadas. Por conta de sua alta resistência a poluição, doenças e ataques de insetos, suas árvores são as melhores para serem plantadas em áreas urbanas, principalmente em avenidas principais.


Árvore majestosa e atraente, pode atingir uma altura de 20 a 35 metros. Suas folhas são super características, apresentando nos ramos menores folhas inteiras e nos ramos mais longos lâmina lobada em forma de leque (flabeliformes) e inervação dicotômica. Além disso são decíduas, ou seja, se tornam douradas e caem no outono.


São árvores dioicas como as Cicas (sagu-de-jardim), tendo árvores femininas e masculinas. Nas árvores femininas, seus óvulos nascem aos pares em ramos curtos, que no outono produzem sementes carnosas, de cor amarelo-pálido, com odor desagradável devido a presença de ácido butanoico que lembra manteiga rançosa. Produzem uma fruta parecida com a ameixa, de cor cinzenta que cai no final do outono. Seu caroço tem cheiro de peixe e é muito apreciado na culinária japonesa e chinesa.


Nas árvores masculinas, vamos encontrar os microesporângios (órgão masculino da planta) que abriga os microgametófitos (pólen - gametas) que serão dispersados pelo vento. As arvores masculinas com mais de 20 anos florescem na primavera.



Usos históricos


A palavra “Ginkgo” tem origem chinesa e significa damasco prateado, e “biloba” é referente ao formato das folhas com dois lóbulos. O extrato retirado de seu tecido vegetal já é utilizado pela medicina oriental há 4 mil anos.


Extratos das folhas de Gb encontram-se na farmacopéia chinesa antiga e atual para o tratamento de disfunções cardiopulmonares, bem como para promover a longevidade. Na Europa (particularmente França e Alemanha) e nos Estados Unidos, os extratos de Gb figuram entre os produtos botânicos mais comercializados, embora nem sempre sob a fiscalização de agências reguladoras. As indicações mais comuns são o tratamento e a prevenção das condições médicas relacionadas ao envelhecimento, em particular para melhorar a memória e as funções cognitivas correlatas, bem como no tratamento de labirintopatias (zumbidos e vertigens) e cefaléias (Luo, 2001).



Curiosidades sobre Ginko Biloba


A dimensão de sua capacidade de resistência pode ser vista pela ausência de “parentes” vivos em sua genealogia: a ginkgo Biloba é a última espécie viva da família Ginkgoaceae, da qual faz parte.



Também conhecida como nogueira-do-japão ou árvore-avenca, a árvore foi identificada e estudada por europeus primeiramente pelo botânico alemão Engelbert Kaempfer em 1690, e durante muito tempo conclui-se que ela estava extinta. No oriente, porém, exemplares de ginkgo biloba seguiam florescendo, e algumas árvores são estimadas em idades que passam dos 1000 anos. Atualmente, apesar de abundante, a árvore é considerada ameaçada, por restarem poucos exemplares realmente na natureza selvagem. Embora estejam desaparecendo na natureza, podem ser encontradas em parques e jardins de várias partes do mundo, onde se destacam pelas vistosas folhas amarelas durante o outono.Em alguns lugares do mundo, vemos apenas o cultivo de árvores masculinas, por conta do odor característico das sementes liberadas pelas árvores fêmeas.



Sobrevivente de Hiroshima e Nagasaki


Foi, no entanto, a incrível sobrevivência da árvore após as bombas em Hiroshima e Nagasaki que fizeram o interesse global pela ginkgo biloba ser retomado: enquanto todos os animais e praticamente todas as plantas foram mortas pelo efeito das bombas, a ginkgo biloba não só sobreviveu como ressurgiu saudável em pouco tempo. Curiosamente as seis plantas identificadas como Hibakujumokus – termo japonês para as árvores que sobreviveram ao bombardeio – seguem vivas, algumas com idades se aproximando dos 300 anos desde sua plantação.


O segredo da longevidade e boa saúde é que elas produzem substâncias químicas que as protegem contra fatores de estresse, como doenças ou secas.


A análise genética revelou que o ginkgo biloba produz seus próprios antioxidantes, antimicrobianos e hormônios protetores.


"À medida que envelhece, o ginkgo biloba não mostra sinais de enfraquecimento da sua capacidade de se defender do estresse", diz o biólogo Richard Dixon, da Universidade do Norte do Texas, nos EUA, coautor do estudo.



Princípios ativos


“O extrato de Gb, denominado EGb761, contém porcentagens específicas de glicosídeos de ginkgoflavonas (24%) e terpenóides (6%), entre estes últimos os bilobalídeos e os ginkgolídeos A, B, C, M e J (Kleijnen e Knipschild, 1992). A ação combinada dos diferentes princípios ativos presentes no extrato promove o incremento do suprimento sangüíneo cerebral pela vasodilatação e redução da viscosidade do sangue, além de reduzir a densidade de radicais livres de oxigênio nos tecidos nervosos (Birks et al., 2002). O ginkgolídeo B é antagonista do receptor do fator ativador de plaquetas (PAF), daí suas propriedades de antiagregação plaquetária (Luo, 2001)."



Indicações e Ação Farmacológica


"Tem ação preventiva e curativa contra as agressões endógenas e exógenas, tais como fenômeno de oxidação devido à presença de radicais livres; ação anti-inflamatória e de prevenção do envelhecimento. Estimula a circulação sanguínea, atuando na circulação arterial, venosa e capilar, agindo na insuficiência vascular periférica. É protetora da barreira hematoencefálica. Possui ação contra alopecia (queda de cabelo) e calvície; doenças brônquicas, enxaqueca, disfunção erétil por má circulação, problemas de visão (glaucoma e degeneração macular) e depressão.


Também diminui a hiperagregação plaquetária, atuando em processos trombóticos; diminui a agregabilidade das hemácias e tem ainda uma ação protetora contra a análise de eritrócitos. Regulariza a permeabilidade capilar, age inibindo a hiperpermeabilidade mediada pela bradicinina e histamina. A nível cerebral permite a diminuição das desordens da memória, distúrbios de atenção, diminuição da capacidade auditiva, casos de vertigens, preservando por mais tempo autonomia e qualidade de vida, e também previne o edema cerebral. Desta maneira, seu uso é indicado no tratamento de micro varizes, úlceras varicosas, artrite dos membros inferiores; tratamento de toda isquemia seja cerebral ou periférica; utilizado em vertigens, deficiências auditivas, perda de memória e dificuldade de concentração; e em tratamento nos processos vasculares degenerativos.


Pela sua ação protetora contra radicais livres e pela inibição da destruição do colágeno, é utilizado também no tratamento profilático do envelhecimento celular e tratamento estético. É conhecido por seu efeito antioxidante, podendo ser utilizado como ingrediente em cosméticos."



Neuroproteção


Três efeitos biológicos, consistentemente demonstrados in vitro, sustentam os possíveis benefícios da Gb na fisiopatologia da doença de Alzheimer e outras demências: a prevenção da neurotoxicidade pelo b-amilóide, a inibição de vias apoptóticas e a proteção contra danos oxidativos. O EGb761 mostrou-se capaz de inibir a formação e a agregação de b-amilóide em células de neuroblastoma geneticamente modificadas, expressando duplamente as mutações APP695 e PS1 (swe/D9) (Luo et al., 2002). Os bilobalídeos protegeram neurônios contra o estresse oxidativo e bloquearam mecanismos de apoptose em seus estágios iniciais, atenuando os efeitos da caspase-3, Bax, p53 e c-Myc em células PC12 expostas a estímulos proapoptóticos (Zhou e Zhu, 2000). Além disso, o antagonismo dos bilobalídeos sobre a sinalização do PAF também inibiu cascatas apoptóticas dependentes da ativação da proteinaquinase C, guardando semelhanças com a ação do fator de crescimento neuronal (Luo, 2001). Finalmente, o EGb761 mostrou-se capaz de melhorar a peroxidação lipídica, atenuando a oxidação da glutationa e os danos oxidantes subsequentes para o DNA mitocondrial (Sastre et al., 2000).



Efeitos sobre a cognição em voluntários saudáveis


Os efeitos da Gb sobre a cognição normal foram avaliados por alguns estudos controlados em amostras com adultos jovens e idosos. O uso de 180 mg/dia de EGb761 durante 6 semanas em 48 adultos com mais de 55 anos associou-se à melhora objetiva na velocidade de processamento cognitivo, além de uma impressão subjetiva de melhora das habilidades gerais de memória (Mix e Crews, 2000). Com os mesmos parâmetros de dosagem e tempo de tratamento, em amostra de 262 voluntários idosos, observou-se um melhor desempenho no grupo tratado com EGb761 em relação aos controles em testes de memória e reconhecimento (Mix e Crews, 2002). Doses agudas de Gb foram associadas a melhor desempenho da memória operacional em voluntários de 30 a 59 anos (Rigney et al., 1999) e melhora da atenção e da memória em adultos jovens (Kennedy et al., 2000).



Toxicidade/Contraindicações

Não possui contraindicações descritas na literatura, porém deve-se ter cuidados quanto à hipersensibilidade. Apesar de não indicarem em estudos experimentais qualquer ação teratogênica, recomenda-se evitar o uso durante o primeiro trimestre de gestação, e apenas sob orientação médica durante a amamentação. Pode ocorrer alguns efeitos colaterais como distúrbios gastrintestinais, transtornos circulatórios incluindo queda de pressão arterial, cefaleia ou reações cutâneas.



Referências Bibliográficas

· Material fornecedor Florien.

· Artigos científicos Scielo.

· Revisão bibliográfica de estudos.



A sua saúde em boas mãos.