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Dica Saudável | Benefícios da Arnica Montana L.


Beneficios da planta medicinal Arnica Montana L.



A utilização das plantas medicinais faz parte da prática da medicina popular antiga, onde os conhecimentos que são transmitidos através de gerações, sabe-se 80% da população mundial, faz o uso de plantas medicinais para prevenção ou cura de alguma doença, cada vez mais se tem se buscado plantas medicinais e/ou seus derivados como agentes terapêuticos naturais.


O Brasil se mostra um país privilegiado, tendo uma extensa e diversificada flora, possuindo aproximadamente um terço da flora mundial. Apenas conhecendo essa biodiversidade, podemos preservar-la. Assim se faz essencial resgatar os saberes tradicionais sobre plantas medicinais e seus usos e benefícios a manutenção da saúde. A Dica Saudável tem como objetivo auxiliar no conhecimento de plantas medicinais e fitoterapia, apresentando informações adquiridas através de uma revisão bibliográfica e com os saberes das farmacêuticas responsáveis.


Hoje a planta medicinal em destaque será a Arnica Montana, conhecida popularmente por seus benefícios analgésicos e antimicrobianos. É conhecida desde a Idade Média por seus os efeitos antinflamatórios da Arnica montana L., bem como sua aplicação na cicatrização de ferimentos graças às suas propriedades regeneradoras de tecidos (VALENTOVA, 1990).


Aqui no Brasil você encontra arnica nos campos do país afora onde é conhecida como: arnica, arnica-brasileira, arnica-da-horta, arnica-de-terreiro, arnica-do-brasil, arnica-silvestre, erva-federal, erva-lancete, espiga-de-ouro, federal, flecha, lenceta, macela-miuda, rabo-de-foguete, rabo-de-rojão, sapé-macho. Uma infinidade de nomes e de plantas diferentes que até podem nos confundir, não é mesmo? É importante sempre observar o nome cientifico da planta e consultar sobre a mesma antes de iniciar algum tratamento.



Resgate da relação do homem com o poder de cura das plantas


As plantas medicinais foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados para o cuidado da saúde dos seres humanos e de suas famílias, um conhecimento que antes mesmo do aparecimento da escrita, já existia (BARRETO,2015). Foram relatadas e catalogadas no ano de 2838 a.C cerca de 300 plantas medicinais e venenosas, assim como dezenas de doenças. (LIMA,2010). Nota-se que as plantas medicinais mantém uma relação intima com o homem desde os tempos antigos até os dias atuais, promovendo qualidade de vida e saúde.


As plantas medicinais foram historicamente uma das principais fontes de medicamentos, sendo amplamente disseminadas pela população em geral, apesar do crescimento do uso de medicamentos sintéticos nas últimas décadas, a utilização destas tem sido a escolha no tratamento de muitas populações no mundo inteiro, sendo fonte única medicação em vários casos. (ONOFRE, 2010)


A Organização mundial da Saúde (OMS) define planta medicinal como sendo “todo e qualquer vegetal que possui, em um ou mais órgãos, substâncias que podem ser utilizadas com fins terapêuticos ou que sejam precursores de fármacos semissintéticos”. A diferença entre planta medicinal e fitoterápico reside na elaboração da planta para uma formulação específica, o que caracteriza um fitoterápico. Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária, em sua portaria nº.6 de 31 de janeiro de 1995, fitoterápico é “todo medicamento tecnicamente obtido e elaborado, empregando-se exclusivamente matéria prima partes de plantas, como caules, raízes, folhas, flores e sementes, com finalidade profilática, curativa ou para fins de diagnóstico, com benefício para o usuário. (LORENZI, 2008)


É importante, no entanto antes de se fazer o uso de medicamentos fitoterápicos, compreender suas características e efeitos, com o auxílio de um farmacêutico; é muito comum o usuário acreditar que por se tratar de um medicamento natural que este não acarrete nenhum efeito colateral, ou carece de cuidados na associação deste com outras medicações.



Propriedades curativas da arnica


A arnica se destaca por suas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas, analgésicas, cicatrizantes e anti-hemorrágicas. Ela é tão poderosa que vem sendo cada vez mais utilizada na medicina moderna, aproveitada inclusive na produção de medicamentos diversos.


Segundo Isabella Massamba, PHD em Ciências Naturais e especializada em botânica e etnobotânica: "As propriedades desta planta são, provavelmente, devidas à ação combinada dos compostos fenólicos e flavonoides, os quais têm um papel fundamental em mecanismos envolvidos na redução de mediadores inflamatórios (moléculas, gerado em um foco inflamatório, capaz de modular a progressão da inflamação e sua possível cronicidade) e as toxinas que geram radicais livres. A aplicação de compostos de arnica estimula o aumento da produção de antioxidantes: isto ajuda na prevenção de danos de tecido, ferimentos e a superprodução da membrana sinovial, em alguns casos de artrite".


Arnica montana é um arbusto perene com rizomas (caules subterrâneos) e raízes perenes, com caules (talos) aéreos que se renovam a cada ano. Sua altura varia de 20 a 70 cm. As folhas chegam a ter 7cm de comprimento com quatro folhas ovais agrupadas em roseta. As flores são abundantes, de cor amarelo-ouro ou alaranjada, com pétalas ovaladas e pontudas que exalam um suave perfume. Devido à cor amarela de suas flores e à semelhança de suas pétalas com as pétalas da margarida, a arnica também é chamada de "margarida da montanha".


Os frutos são pardos e aquênio (LASRWAL, 1998). A arnica é o grande remédio do traumatismo, com ação sobre músculos, tecido celular, cérebro e vasos sanguíneos (partes do corpo mais sujeitas a traumatismos), está indicada para tratar machucados, contusões musculares, artrite, dores reumáticas, no tratamento das varizes e no pós-operatório por reduzir o edema. Em aplicações mais específicas, é também indicada para combater febres, hemorragias, desinterias, infecções 18 renais, inflamações oculares, problemas circulatórios e cardíacos. No tratamento à oleosidade e queda excessiva dos cabelos, rachaduras e hematomas na pele; o uso externo de tinturas e cataplasmas de arnica está limitado à pele íntegra.



Como usar arnica

ATENÇÃO: É preciso, já de cara, dizer que a arnica é hepatotóxica. Se você pretende usar arnica para tratar a dor, nunca a tome pura por via oral. Para obter os benefícios da arnica é indicado realizar a aplicação do gel de arnica no local da dor. Não é recomendado ingerir arnica pura, pois doses maiores não diluídas muito bem podem ser fatais. Você pode fazer uso de remédios homeopáticos de arnica, mas isso porque os produtos homeopáticos são altamente diluídos. A erva em si não deve ser colocada na boca.



Arnica contra dores e inflamações


A arnica é conhecida por ser uma grande aliada contra as dores e inflamações causadas por lesões do dia a dia, sendo muito utilizada também por atletas de alto rendimento.


A percepção da dor é provocada por um estímulo nocivo, lesão ou até mesmo por doenças (IASP.2010). A dor é definida pela Associação Internacional para Estudos da Dor (IASP) como um fenômeno multidimensional desagradável, envolvendo não só um componente sensorial, mas também um componente emocional, e que se associa a uma lesão tecidual concreta ou potencial, ou é descrita em função dessa lesão. (DELLAROZA, 2008)


A dor envolve emoções e outros elementos é um fenómeno individual, na qual cada pessoa sente a dor à sua maneira, não há relação direta entre dor e a sua causa; a mesma lesão pode causar dores diferentes em indivíduos diferentes ou no mesmo indivíduo em momentos diferentes; existe também dor sem que seja possível encontrar uma lesão física que lhe dê origem. (SOUSA, 2005). Quando o tecido é danificado, são liberados vários mediadores inflamatórios, que ativam diretamente os nociceptores provocando a dor, ou conduzindo uma sensibilização do sistema nervoso somatossensorial. Esse processo é característico de dor inflamatória, facilitando a ativação da via da dor até que o processo de cicatrização finalize. (CALIL SALLUM,2012)