Dica Saudável | Vamos falar sobre tinturas?



A fitoterapia é um método de cura milenar, consiste em tratar-se através do reino vegetal. Aqui na Dica Saudável já falamos bastante sobre esse tratamento a base de plantas medicinais. Quando falamos em fitoterapia, estamos nos referindo a qualquer método de tratamento com ingredientes do reino vegetal, seja a partir de tinturas, cataplasmas, chás, emplastos, banhos, temperos ou alimentação, que são conhecidos como medicamentos fitoterápicos. É um estudo que nos encanta e hoje queremos conversar sobre um tipo de medicamento fitoterápico: as tinturas.


Esse método consiste em uma forma de preparação em que se extrai os princípios ativos das plantas medicinais, utilizando-se um meio alcoólico. O álcool funciona como um solvente que possibilita que certas propriedades sejam extraídas da planta e permanecem em sua solução. As tinturas podem ser usufruídas para uso interno, em beneficio do nosso organismo, como a tintura de melissa para acalmar, a mente e o corpo, como também uso externo em cosméticos, como tintura de aveia, para nutrir nossa pele, maior órgão do corpo.


Percebem que são diversas as técnicas e ferramentas que podemos aprender para usufruir do tratamento através das plantas. A fitoterapia é um cuidado gentil do organismo através do reino vegetal que podemos incluir em nossas vidas como melhor nos adaptarmos, de diferentes modos.


De acordo com a caracterização do Ministério da Saúde, “fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal, cuja abordagem incentiva o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social”.


As plantas estiveram sempre presentes nos remédios do Homem. Ao longo da história, podemos encontrar muitas referências às plantas, que foram e são utilizadas em civilizações e culturas diversas. Plantas medicinais ou suas partes, são aqueles que contenham as substâncias, ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta, estabilização e/ou secagem, podendo ser íntegra, rasurada (cortada), triturada ou pulverizada.


Houve um tempo onde a única forma de obter ‘remédios’ era diretamente através dos recursos dados pelo reino vegetal.O conhecimento das ervas, das propriedades de cada planta e de seus usos era principalmente das mulheres, visto que eram elas que cuidavam da terra e por isso passavam a maior parte do tempo em contato com as plantas, raízes, flores e frutos.


Ainda vivemos em solo previlegiado. O Brasil é um dos grandes centros no mundo quando a biodiversidade é considerada, detém 28% do que restam de florestas tropicais do planeta e o maior número (22%) de espécies de plantas superiores. Destas, estima-se que 40% devem conter propriedades terapêuticas (ELISABETSKY e COSTA-CAMPOS, 1996), apesar de que aproximadamente apenas 20% das plantas tenham sido farmacologicamente estudadas (NEWMAN et al., 2003). Uma forma de preservas essa diversidade é conhecendo ela, como trazem benefícios para nos e para o meio como um todo, participando da teia da vida. Essa medicina verde, ecológica como se diz hoje, é tão velha quanto o gênero humano.


Tudo quanto usamos do reino vegetal com o propósito terapêutico de cura, prevenção ou melhoria da saúde é fitoterapia! Na dica saudável de hoje iremos falar sobre uma das formas de usufruir dos benefícios do reino vegetal através das tinturas!



O que é tintura?


A tintura é uma forma de preparação em que se extrai os princípios ativos das plantas medicinais, utilizando-se álcool. Uma forma de conservar essa planta e suas propriedades sob a forma de preparação farmacêutica que estabiliza essa solução em sua própria composição.


As tinturas vegetais são preparadas à temperatura ambiente pela ação do álcool sobre uma erva seca (tintura simples) ou sobre uma mistura de ervas (tintura composta).


São preparadas por solução simples, maceração ou percolação. A tintura simples corresponde a 1/5 do seu peso em erva seca, quer dizer que 200 g de erva seca permitem preparar 1.000 g de tintura. Na maioria das vezes se utiliza um álcool a 60º G.L.

Existem algumas exceções, como as tinturas de materiais resinosos como o tolú, ou drogas ricas em essências ou resinas como o boldo, canela, eucalipto, grindélia, ou ricas em mucilagens como casca de laranja amarga, onde o título do álcool é de 80º G.L.


As drogas muito ativas (heroicas), como o acônito e a beladona são preparadas por percolação com álcool 70º G.L. As tinturas de ópio e noz-vômica são preparadas por simples dissolução do extrato correspondente em um álcool a 70º G.L., obtendo-se um título final de aproximadamente 10% de planta seca.


As tinturas-mãe são definidas como preparações líquidas resultantes da ação dissolvente de um veículo alcoólico sobre o material vegetal. As tinturas-mãe de drogas vegetais são obtidas pela maceração em álcool de diferentes títulos, da planta fresca, da planta fresca estabilizada ou, raramente, da planta seca.


As plantas e os remédios que são feitos a partir delas possuem inúmeras formas, cada qual com seu interesse terapêutico particular, suscetível de se adaptar ao gosto e a necessidade do usuário. Vamos apresentar algumas variedades e seus benefícios em nossa saúde:



AVEIA

Nome científico: Avena sativa L

Nome popular: Aveia-cultivada.

Família: Poaceae.

Parte Utilizada: Partes aéreas, fruto e semente.

Composição Química: ácido silícico, alcalóides, saponinas esteroidais, carotenóides, sais minerais, vitaminas, fitoesteróis, aminoácidos, açúcares, pectina.


A planta cresce aproximadamente 60 a 90 cm de altura, e possui folhas retas, ocas e parecidas com laminas. As flores que contem 2 ou 3 pequenas flores, são encontradas na parte superior da planta. O grão de aveia cresce dentro de 2 cascas que o protegem durante o desenvolvimento.



>> Indicações e Ação Farmacológica


Usada como alimento; ictiose (coceira produzida pela pele seca); redutora dos níveis de lipídios no sangue; na redução da vontade de fumar; tratamento para o reumatismo; depressão; dor neurológica crônica; atonia da bexiga; diarreia, hemorroidas, faringites, laringites, tosse, insônia, nevralgias, ansiedade, arteriosclerose; externamente como um produto emoliente e para limpar a pele.


Os grãos ricos em vitamina B, proteínas, Fe, Ca, hidratos de carbonos de carbono, atuam sobre a formação dos ossos e do sangue. Estimulam a energia física e psíquica e a capacidade de concentração. As fibras facilitam a digestão e regulam o funcionamento dos intestinos. As mucilagens tem a propriedade de desinflamar as mucosas e deter a diarreia. A aveia reduz o teor de gorduras e de açúcar do sangue, auxiliando na arteriosclerose. Devido conter hidratos de carbono que são semelhantes à frutose, que não necessita de insulina para serem metabolizados, é muito utilizada na alimentação de diabéticos. O alcaloide trigomeline é estimulante neuromuscular.


>> Toxicidade/Contraindicações: Não foram encontrados relatos nas literaturas pesquisadas


>> Dosagem e Modo de Usar


Uso interno:

- Tintura: 20 gotas, três vezes ao dia;

- TM: 40 gotas, três vezes ao dia;

- Farinha: 90g ao dia.


Uso externo:

- Extrato glicólico: 5 a 10% em cremes, loções cremosas, hidroalcoólicas ou tônicas, géis, produtos para banho, sabonetes, loção de limpeza, máscaras faciais, preparações capilares, produtos para pele sensível e delicada, e cosméticos em geral. Você pode estar formulando um hidratante personalizado para você junto com esse extrato que nutri e hidrata nossa pele!



ALCACHOFRA

Nome científico: Cynara scolymus L.

Nome popular: Cachofra, alcachofra hortense, carciofo, alcachofra rosa, artischoke.

Família: Asteraceae.

Parte Utilizada. Folhas e talos.

Composição Química: Extrato padronizado em 0,5% de Ácido Clorogênico. Cinarina, sais minerais, ácido cafeico, mucilagem, pectina, tanino, ácidos orgânicos, componentes flavônicos glicosilados, enzimas, vitaminas A, B1, B2, C.


Planta vivaz, provavelmente originária da região do mediterrâneo, considerada durante muito tempo como uma hortaliça rara, é hoje abundante cultivada nas regiões atlânticas com invernos suaves. A alcachofra mede até dois metros de altura, tem um caule forte e suas grandes folhas têm lóbulos e são cinzas esverdeadas. O botão da flor, comestível, tem cor roxo-esverdeada e contem ao seu redor camadas ou brácteas que escondem o miolo da flor.



>> Indicações e Ação Farmacológica


Ajuda na diminuição do colesterol e uréia, digestivo, hepático, hipotensor, antianêmico, diurético, remineralizante, tônico e laxativa.


Outros usos: Ácido úrico, obesidade, diabetes; debilidade geral, clorose, convalescença, dispepsia; hipertensão, hipertireoidismo, toxemia; afecções reumáticas. A cinarina é a principal responsável pela atividade colagoga e colerética, aumentando a secreção biliar O aumento da eficiência metabólica do fígado se deve aos compostos polifenóicos, enquanto que a cinarina abaixa significativamente a taxa de colesterol através de uma estimulação metabólica enzimática, além de possuir propriedades hepatoprotetoras. A alcachofra é usada para casos de hiperlipidemia e ateromatose no interior dos adipócitos. A ação protetora e regeneradora das células hepáticas é obtida pelos flavonóides que estimulam a síntese enzimática básica do metabolismo hepático. Na uremia, a cinarina melhora a excreção da amônia através de um aumento da produção de ácido úrico pelo epitélio renal. A ação diurética auxilia a eliminação de uréia e de substâncias tóxicas decorrentes do metabolismo celular; ação depurativa.


O amargor da cinaropicrina aumenta a secreção gástrica e sua acidez. A alcachofra não dissolve os cálculos biliares, mas diminui as cólicas, exercendo um efeito preventivo em pessoas predispostas a desenvolverem litíase. A oxidase, enzima hidrossolúvel, é provavelmente a responsável pela ação redutora da taxa de glicose sanguínea.


>> Toxicidade/Contraindicações: Não deve ser usado durante a lactação, pois pode reduzir a secreção láctea. Contraindicado para alérgicos à alcachofra, quando há obstrução do canal biliar e em pacientes propensos à fermentação intestinal.


>> Dosagem e Modo de Usar

- Tintura: 5 a 25 mL ao dia;



ALGODOEIRA

Nome científico: Gossypium herbaceum L.

Sinonímia Científica: Gossypium baradense L.

Nome popular: Algodoeiro, alqutum.

Família: Malvaceae.

Parte Utilizada: Raiz e semente.

Composição Química: Essência, tanino, amido e betaína. As sementes contêm 95% de celulose, uma pequena quantidade de substâncias cerácea e graxa, com pequenas quantidades de ácidos palmítico, esteárico, pectínico, etc. As sementes contem aproximadamente 20% de óleo, 20% de matéria protéica, 23% de matéria nitrogenada, 7% de gosipol e fenóis e uma diástase proteolítica.


Arbusto grande, ereto e ramoso de até 4 metros com glândulas potinformes, folhas pecioladas alternas, palmadas, 3 a 5 lobadas, lobos ovados lanceolados, acuminados 5 a 7 nervados de 17 cm de comprimento e 20 cm de largura. flores amarelas, raramente róseas, com manchas purpúreas na base das pétalas. Fruto cápsula longo- mucronada ou aguda com 3 a 5 sulcos longitudinais e com igual número de valvas e lóculos oblongados e elípticos com 7 a 8 sementes obovais, glabas soldadas.


>> Indicações e Ação Farmacológica


Diurética, anti-inflamatória, homeostática, estimulante da cicatrização, galactogogo e anticatarral. É usada em casos de hemorragias uterinas, dores nas articulações, furúnculos, helmintíases, tosses catarrais, dismenorreia, amenorreia e em lactantes para aumentar a produção de leite.


As fibras das sementes, convenientemente limpas e desengorduradas, são altamente hidrófilas. O extrato das sementes estimula a produção de leite em lactantes. A diástase proteolítica do óleo é anti-helmíntica, atuando no intestino.


>> Toxicidade/Contraindicações :Não é recomendado o uso durante a gestação. Pode causar Infertilidade masculina.


>> Dosagem e Modo de Usar

- Tintura: 20 gotas diluídas em água, tomar três vezes ao dia;



ALECRIM